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A arte de não querer ter sempre razão

IED apresenta
1 de julho de 2018

Por Victor Falasca Megido, diretor-geral do IED Brasil

O tema da recente conferência internacional de negócios C2 Montréal (Commerce + Creativity) foi “colisões transformadoras”. É o conflito que vira colaboração entre os mundos do negócio e da criatividade como a mais poderosa resposta à necessidade de inovação. Algo bem provocante e realista! E o maior desafio segue sendo a disposição real das pessoas para tais colisões transformadoras. A verdadeira inovação são as pessoas.

As pessoas estão realmente dispostas a se ouvirem e se conectarem em torno de um mesmo propósito?
O comportamento se baseia na interpretação que cada ser humano faz da realidade e não da realidade em si. Por esse motivo, a percepção do mundo é diferente para cada um de nós. Cada pessoa percebe um objeto ou uma situação de acordo com os aspectos que têm especial importância para si.

O primeiro grande desafio é a atenção.
O processo de percepção tem início com a atenção, que nada mais é do que um processo de observação seletiva. Este processo faz com que nós percebamos alguns elementos em desfavor de outros. Deste modo, são vários os fatores que influenciam a atenção. Por exemplo, o meio de contato, interação, comunicação e a mídia são fatores externos que influenciam a compreensão da realidade.

Quer experimentar? Vá ao Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, o FILE, que abre ao público neste mês de julho no Centro Cultural da Fiesp. O festival, que mistura arte e tecnologia, tem como título “O corpo é a mensagem”, numa referência à convivência simultânea entre os corpos físicos e os cibernéticos.

O FILE nos mostra que os conceitos apresentados pelas linguagens da arte (desenho, pintura etc.), mídias tradicionais (como a televisão) e digitais (como a realidade aumentada) são representações da realidade e vão ao encontro das reflexões sobre a inter-relação do homem com o espaço.

Desde o começo da civilização, os artistas tentam representar o espaço, conceitos e movimentos por meio de imagens sequenciais. Isso foi feito bidimensional e tridimensionalmente, segundo o conhecimento técnico disponível em cada época.

Acredita-se hoje que os espaços da superfície terrestre devem ser concebidos não como entidades tridimensionais, mas sim, quadridimensionais, como complexos fenômenos espaço-temporais.

Nos últimos decênios, a realidade aumentada, a visão panorâmica, os planos curvilíneos e a interatividade têm sido exploradas por diversas áreas do conhecimento, como design, arquitetura, geografia, cinema, entre outras, pois as exigências da percepção têm evoluído através das gerações.

A realidade muda, pois a natureza muda. O ecossistema está em lenta, porém constante, mutação. Evolui também nosso entendimento sobre a nossa percepção da realidade e, com isso, nossos entendimentos sobre os conceitos.

Todavia, passam milênios e alguns preconceitos não mudam. Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios, dizia Nicolau Maquiavel.

A vacina contra o preconceito é a junção de educação com compaixão. Ter atenção sobre os conceitos, buscar a escuta ativa e o olhar estrangeiro sempre, por mais cansativo que seja.

Hoje, mais do que nunca, um projeto empresarial se tornou um projeto humano. Pois, e essa vem sendo a novidade, as hierarquias empresariais quebraram dada a oportunidade de poder pensar e poder opinar. Quando falamos de empoderamento nas empresas, estamos falando de dar às pessoas o direito de serem corresponsáveis.

E mais! Uma das habilidades cruciais para gestores de nosso tempo é a delicadeza.
Delicadeza? Sim! Fomos programados para encará-la como uma espécie de fraqueza. Mas, na verdade, delicadeza é força em estado de paz. A delicadeza é quase o oposto da soberba.

Posturas como “eu sei tudo” e “eu que mando aqui” não funcionam mais. Simples assim. Não querer ter sempre razão passa a ser uma boa atitude. Quem diria!
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Victor Falasca Megido é diretor-geral do Instituto Europeu de Design – IED Brasil. Formado em Comunicação pela Università La Sapienza, de Roma, e Executive Master em Marketing & Sales pela SDA Bocconi, de Milão, e pela Esade Business School, de Barcelona. Estudou como sociólogo Domenico De Masi, colaborando com os eventos formativos em Ravello, Paraty e São Paulo. Professor de cursos de pós-gradução, conferencista e autor de livros de Marketing e Branding. Trabalhou na área de Propaganda & Marketing de empresas multinacionais. Foi diretor-geral da agência italiana de comunicação Armosia no Brasil.

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