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A era das inteligências criativas

IED apresenta
1 de agosto de 2018

Por Victor Falasca Megido, diretor-geral do IED Brasil

Quando eu conhecer a sua alma, pintarei seus olhos, disse Modigliani à francesa Jeanne Hébuterne, amor de sua vida. Ele pintava seus retratos com olhos fechados e abertos, explicando que um olho é para ver o mundo, o outro para enxergar a alma.

O designer é esse ser que olha dentro e fora, além do óbvio. É um buscador de soluções para problemas complexos. Seu objetivo é promover uma vida melhor, proporcionar felicidade.

Ainda se fala pouco no país desta profissão. Existe um grande mal-entendido sobre o que é e o que deve oferecer o design. Na minha visão, design sempre foi e será “projeto”. Logo, para ser designer, não se pode improvisar. É uma profissão séria que envolve o bem-estar do ser humano, negócios e retorno sobre investimentos.

Mercado bilionário
Na última ForMóbile, debati com Lauro Andrade Filho, idealizador e CEO do DW! e da High Design, e com Angelo Duvoisin, superintendente comercial da Artefama e idealizador da Moora, o tema “Design: nicho ou mercado bilionário?”. As perspectivas para os próximos anos são bastante promissoras. Há 240 mil designers de interiores e arquitetos no Brasil, dos quais 40% exercem regularmente a atividade, com a média de cinco projetos a cada mês.

Lauro traça projeções animadoras tendo como base a indústria moveleira. No cenário mais conservador, se cada profissional especificar 10 peças de design por ano (menos de uma por mês), haverá uma demanda de um milhão de itens. A um preço médio de R$ 500, isso representa uma movimentação de R$ 500 milhões anuais para os fabricantes e R$ 1.5 bilhão para o mercado varejista.

Em um cenário possível, em que cada profissional especifique 10 peças de design por mês, 12 milhões de itens representam R$ 6 bilhões na indústria e R$ 18 bilhões no varejo. O potencial é exponencialmente maior ao considerarmos diversos outros segmentos de produtos e serviços envolvidos. Oportunidades bilionárias e em sintonia com o futuro!

Conexões e comportamentos
Entramos na era das inteligências criativas. Diversos estudos indicam que cerca de 60% das profissões do futuro próximo ainda não existem e a maioria delas passa pelo design. Cito Tucker Viemeister, que encontrei recentemente na Semana de Design de Nova York. Ele nos incita à mudança quando escreve que “a educação em Design está em fluxo por três razões”: 1. O papel do designer profissional está mudando; 2. A natureza do trabalho, em geral, está mudando; e 3. O mundo está mudando.

A educação é fundamental para preparar profissionais aptos aos desafios do novo milênio – serviços, nova economia, universo digital e sustentabilidade. O design se torna um caminho para reduzir atritos, dissonâncias cognitivas e se aplica às diversas indústrias, agronegócio, arranjos produtivos, cidades, marcas, serviços, espaços, sistemas de mobilidade, objetos etc.

Em “A revolução do design – conexões para o século XXI” (Editora Gente), mostramos que, mais que impor imagens, totens e tabus, o design gera serviços, conexões e redes de encontros para fomentar sonhos possíveis. Possibilita novos empreendimentos, facilita a inserção de novas ideias na sociedade, viabiliza futuros, movimentando recursos de formas diferentes, mais horizontais, com mais transparência. Termina o departamento de design, agora design é comportamento. E todos nós, designers ou não de profissão, podemos assumir uma atitude empática, dialógica, dinâmica, flexível, criativa. O cliente agradece. E ninguém nos obriga.

O Brasil precisa de mais design, mais designers e mais projetos para que possa ser transformado. Estamos levando essa reflexão para o nosso Hub Higienópolis durante o DW! Design Weekend. Venha nos visitar e conversar mais a respeito – de 29 de agosto a 2 de setembro no IED São Paulo.
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Victor Falasca Megido é diretor-geral do Instituto Europeu de Design – IED Brasil. Formado em Comunicação pela Università La Sapienza, de Roma, e Executive Master em Marketing & Sales pela SDA Bocconi, de Milão, e pela Esade Business School, de Barcelona. Estudou como sociólogo Domenico De Masi, colaborando com os eventos formativos em Ravello, Paraty e São Paulo. Professor de cursos de pós-graduação, conferencista e autor de livros de Marketing e Branding. Trabalhou na área de Propaganda & Marketing de empresas multinacionais. Foi diretor-geral da agência italiana de comunicação Armosia no Brasil.

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